Aloysio de Souza

Reconstruindo um “produto”

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contexto

E-commerce B2B, com uma funcionalidade estratégica criada para gerar receita incremental em datas sazonais.

DESAFIO

Manter um produto caro e complexo — valorizado por stakeholders — ou assumir o risco de desmontá-lo e integrar apenas as partes que geravam valor real ao fluxo principal de compra.

Impacto

resumo

Conflito

Ao assumir a experiência de um produto B2B, encontrei uma funcionalidade cara, promissora e esquecida.

Após 8 meses de lançamento:

  • A adoção estagnou em menos de 1%.

  • A receita incremental era irrelevante.

  • A descontinuação já estava na mesa.

Não faltavam opiniões, faltava diagnóstico. Ninguém sabia se o fracasso vinha da usabilidade, da oferta ou do mercado.

INVESTIGAÇÃO

No início, não havia clareza sobre os motivos da baixa adoção do fluxo alternativo. A hipótese de um fluxo paralelo fazia sentido — especialmente por mimetizar os eventos presenciais, mas ainda era apenas uma suposição.

Iniciamos pela análise de dados e avaliações heurísticas, mas rapidamente ficou claro que o problema não era apenas usabilidade.

Entrevistas em profundidade e o mapeamento da jornada revelaram dois pontos importantes:

  • Reconhecimento do valor na curadoria, organização e composto promocional
  • Desconforto com o fato do fluxo não estar integrado ao pedido principal

Ela até acessava a funcionalidade — mas não finalizava a compra.
O motivo era claro: produtos recorrentes e ofertas sazonais pertenciam a momentos e estratégias de compra diferentes.

O resultado era esquecimento, fricção e baixa adoção.

Tradeoff

Risco concreto

Abrimos mão de um produto fechado, completo e bem avaliado internamente para priorizar apenas as funcionalidades que comprovadamente entregavam valor ao negócio quando integradas ao fluxo principal.

Desconstruir um investimento relevante poderia gerar desgaste político e técnico. Caso a integração não gerasse retorno, o custo da decisão recairia diretamente sobre o time.

Optamos por extrair o que realmente funcionava e transformar o produto isolado em uma etapa de Upsell inteligente dentro do Checkout, aproveitando o momento de alta intenção de compra.

Esse foi o tradeoff central:

  • o produto, como entidade independente, deixava de existir
  • as partes ganhavam escala, contexto e recorrência

Para alguns stakeholders, isso significava admitir que:

  • o todo do produto era menos valioso do que suas partes.

O risco era alto:

  • Gerenciamos o luto do produto descontinuado provando, via testes A/B, que a funcionalidade pulverizada gerava 10x mais valor do que o produto centralizado.
  • possibilidade de a desmontagem não gerar retorno
  • e o pior cenário: perder o produto e não recuperar a receita

Fluxo "upsell" integrado

Resultado

A mudança de contexto (de “Página de Eventos” para “Checkout Upsell”) transformou a performance rapidamente e chegamos a um resultado anual incrível:

adoção
10 x
receita incremental
10 x
ticket médio
+ 10 %
Mais do que os números, houve uma mudança clara de percepção:

de “Design que melhora interface”
para “Design que destrava crescimento”.

Papel e liderança

Como design lead, atuei articulando:

  • decisões de processo
  • ações de pesquisa
  • workshops multidisciplinares
  • desenho da solução

O foco não era entregar a feature que pediram, mas entregar a receita que precisavam.

Além da liderança do time, foi fundamental:

  • sustentar a decisão junto aos stakeholders
  • lidar com o atrito natural de pivotar um produto já lançado
  • alinhar expectativas entre design, produto e negócio

Aprendizado central

Não é sobre UI.
É sobre contexto, decisão e impacto.

Design gera valor real quando:

  • parte de dados, problemas e objetivos de negócio
  • evita criar features por desejo
  • conecta percepção de valor do usuário a resultado mensurável

O impacto do Design vai muito além da tela —
ele acontece quando pessoas e negócios são reconectados ao que realmente faz sentido.