
Uma mudança de direção estratégica exigia a validação imediata de novos modelos de receita. A ordem era clara: transformar uma unidade de negócio inteira com alta velocidade e baixa margem para suposições.
Executar discoveries profundos em semanas — não meses — sem transformar o processo em teatro, garantindo que a velocidade não comprometesse a confiabilidade da decisão.
Os processos tradicionais de Design funcionavam, mas dependiam de tempo, fluxo linear e estabilidade — tudo o que não tínhamos.
Não tínhamos respostas suficientes para investir.
Adiar a decisão aumentaria o risco de mercado.
Executar um “Discovery by the book” perderia a janela de oportunidade.
O desafio não era defender discovery.
Era fazer discovery funcionar sob pressão real.
Optei por reestruturar o modelo de discovery, utilizando IA para sintetizar padrões e acelerar hipóteses, mantendo validação humana como critério final de decisão.
Para cumprir o prazo agressivo de 6 semanas, pivotamos o processo. Não substituímos a pesquisa, aceleramos o processamento. Utilizamos modelos de IA alimentados exclusivamente com contexto real e dados proprietários para sintetizar padrões que levariam semanas para serem mapeados manualmente.
O objetivo não era ser mais rápido.
Era reduzir risco de investimento antes de comprometer engenharia.
Sacrifício do “Purismo Metodológico”: Abrimos mão da aplicação completa de frameworks tradicionais e de rituais longos e entrópicos (“segurança de processo”) em favor de uma abordagem direta de Hipótese > Validação.
Mitigação de Viés: Para evitar a “alucinação” da ferramenta, restringimos a IA a atuar sobre contexto real inserido por nós, usando o time humano para validar os fatos e assinar a estratégia final.
O processo não decide — ele orienta.
Só deveríamos usar o que realmente fosse necessário
Triangulação massiva de dados para identificação acelerada de padrões.

Agentes de IA para stress-test de hipóteses e antecipação de objeções.

Construção simultânea de artefatos funcionais e hipóteses

Em 6 meses, rodamos 3 ciclos intensivos. O objetivo não foi entregar o MVP, mas definir o escopo do MVP.
Executamos o serviço manualmente utilizando a técnica de Mágico de Oz, apoiados por GEMs do Gemini como motor operacional.
Se o usuário solicitava um link de pagamento, gerávamos um link real.
Se solicitava suporte, a IA estruturava a resposta e o time validava.
Construímos serviço antes de construir software.

Após a decisão estratégica da companhia, foi estruturado um squad multidisciplinar para validar novos modelos de receita. Liderei a frente de Design, estruturando o processo de discovery acelerado e os modelos de experimentação, integrando análises qualitativas e quantitativas para sustentar decisões junto à diretoria.
Atuei como liderança transversal, influenciando Produto, Tecnologia, CRM, Operações e Modelo Comercial, garantindo alinhamento entre estratégia, viabilidade operacional e experiência.
Essa abordagem inverteu a lógica de desenvolvimento. Ao chegarmos na fase de construção do MVP, não tínhamos dúvidas sobre “o que construir”.
O MVP deixou de ser um “produto teste” para se tornar a automação escalável de um serviço já validado.
Antes: Construir para testar se funciona. (Alto Risco)
Depois: Testar manualmente e construir apenas para ganhar escala e viabilidade. (Risco Controlado)
Design sem dado vira opinião.
Dado sem gente vira estatística.
O impacto real acontece quando os dois se encontram.