Aloysio de Souza

De rastreamento a eficiência

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contexto

Produto B2B de telemetria para frotas logísticas, combinando plataforma de dados + dispositivos IoT, utilizado em torres de controle operacional.

DESAFIO

Continuar competindo como rastreador técnico ou assumir o custo de reposicionar o produto como ferramenta estratégica de eficiência operacional.

Impacto

resumo

O produto nasceu a partir de uma provocação tecnológica.
Seus requisitos, fluxos e prioridades foram definidos quase exclusivamente pela engenharia, com foco em rastreamento e exploração de dados brutos.

Quando cheguei ao time como design manager, a pergunta central era simples — e incômoda:

Que problema real estamos resolvendo com um sistema de rastreamento?

As respostas eram difusas.
Em um mercado repleto de soluções similares, não estava claro se o produto resolvia um problema relevante, recorrente e mal atendido.

Entendendo o problema

A partir de pesquisas em campo e entrevistas em profundidade, ficou claro que o desafio do cliente não era saber onde estavam as carretas-baú, mas sim:

  • controlar tempo de permanência
  • entender gargalos de pátio
  • diagnosticar ineficiências operacionais
  • reduzir filas, ociosidade e latência de informação

 

O contexto era complexo:

  • carretas desacopladas
  • pátios sobrecarregados
  • centros de manutenção com baixa visibilidade
  • decisões tomadas com dados atrasados

Rastreamento, por si só, não resolvia isso.

Estratégia

A decisão foi reposicionar o produto.

Em vez de apenas mostrar dados de localização, o produto passou a:

  • coletar e interpretar tempo de permanência
  • inferir comportamentos operacionais
  • gerar alertas acionáveis
  • apresentar indicadores claros de eficiência

Isso exigiu:

  • mudar completamente o “shape” do produto
  • redesenhar a interface
  • redefinir o papel do dashboard na tomada de decisão

O produto deixava de ser operacional-técnico para se tornar estratégico.

Trade-off

O que abrimos mão

  • Terreno conhecido de produtos de rastreamento
  • Métricas fáceis de explicar (posição, rota, velocidade)
  • Valor imediato e óbvio para qualquer cliente

O risco assumido

  • ROI menos imediato
  • maior esforço para explicar valor
  • dependência da maturidade operacional do cliente
  • investimento em um reposicionamento completo

Era mais difícil vender.
Mas era muito mais difícil de copiar.

Resultados

engajamento (MAU)
+ 50 %
mais rápido
60 %

Após três sprints de entregas incrementais:

  • Aumento da taxa de engajamento. Antes o produto era usado apenas nas mesas de rastreamento da torre. Após o reposicionamento, passou a atender operadores de fluxo e KPIs
  • Redução do tempo de tarefa
  • Automatizações de processos
  • Visibilidade de ociosidade dos veículos e fluxo dos pátios

O produto passou a ser percebido não como “rastreador”, mas como ferramenta de eficiência logística.

Papel e atuação

Além da liderança de design, atuei:

  • organizando a base de conhecimento existente
  • conectando evidências de uso, personas e expectativas de stakeholders
  • liderando o desenho da solução com foco no diferencial competitivo
  • apresentando resultados e hipóteses à diretoria
  • propondo a estratégia de crescimento e escala do produto

O desafio adicional era estrutural. O produto era IoT, combinando:

  • operação de campo
  • engenharia de hardware
  • engenharia de software

Colocar todos no mesmo ritmo exigiu articulação constante, já que hardware e software operam em cadências naturalmente diferentes.

Aprendizado central

Produtos podem — e devem — assumir papéis mais relevantes do que aqueles para os quais foram originalmente concebidos.

O diferencial competitivo não estava em gerar mais dados,
mas em transformar dados já existentes em informação acionável.

Reposicionar um produto exige:

  • abrir mão de terreno confortável
  • convencer stakeholders
  • sustentar hipóteses com evidência de campo

 

Mas é assim que um produto deixa de ser comoditizado e passa a ser estratégico.