Aloysio de Souza

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  • Integrando a experiência de compra Natura e Avon

Contexto

Unificação das operações de venda direta da Natura e Avon em uma única plataforma B2B, atendendo mais de 4,5 milhões de consultoras no BrasilAmerica Latina.

Desafio

Criar uma experiência multimarca sem comprometer produtividade, ticket médio e confiança, em um fluxo responsável por mais de 90% da receita do negócio.

Impacto

Resumo

A iniciativa de fusão representou uma evolução importante para um modelo de negócio de mais de 50 anos de história.

Ao fundir as operações, a companhia não estava apenas migrando sistemas, mas colocando à prova sua infraestrutura e cultura.

O risco era extremo:

Canibalização de Marca

Natura e Avon precisavam coexistir na mesma plataforma sem diluir identidade ou confundir propostas de valor.

Risco de Receita

Qualquer fricção na usabilidade impactaria diretamente a produtividade das consultoras e, consequentemente, o faturamento da companhia.

Complexidade Sistêmica

Unificar regras de negócio distintas, requisitos legais e logística de duas gigantes em um único fluxo de compra.

Relacionamento

Natura e Avon cultivaram laços distintos com sua força de vendas. A plataforma precisava criar sinergia sem ferir o senso de pertencimento da consultora fiel.

Uma falha de experiência não significava apenas fricção — significava perda de receita em escala sistêmica.

Imperativos

Captura de Sinergias

Simplificar o modelo de negócio unificando logísticas e regras comerciais de sell-in distintas, materializando a eficiência desejada.

Aceleração da Mutualidade

Habilitar o cross-sell na base instalada, permitindo que a consultora acessasse um portfólio expandido para blindar seu ticket e aumentar o market share.

Insight de pesquisas

testes de usabilidade
+ 20
respondentes
+ 10 K
entrevistas
+ 20

A realidade digital

  • Fato: Em campo, descobrimos que apps pesados eram desinstalados rotineiramente para liberar espaço no celular, especialmente em aparelhos de entrada.

  • Insight Estratégico: A unificação não poderia ser a soma dos pesos (Natura + Avon). Traduzimos a eficiência operacional da empresa em conveniência para a consultora: a vantagem real de liberar espaço no celular e a simplificação de gerir duas marcas em uma única plataforma de consultoria.

“Eu não tenho público para este tipo de produto, só vendo Natura”

“Tenho medo de não dar conta de vender Natura”

Silos de percepção

  • Fato: As marcas ocupavam “gavetas mentais” diferentes. Natura era vista como compra planejada (reposição/presente) e Avon como oportunidade (promoção/impulso).

  • Insight Estratégico: Misturá-las na mesma vitrine causava ruído cognitivo e rejeição. A arquitetura precisava respeitar o momento de compra: criar ambientes distintos para preservar a identidade, mas unificados para facilitar a transação.

Curva do cross-sell

  • Fato: A consultora “Mútua” (que vende ambas) já era comum (+50%). O maior medo da consultora era a complexidade operacional de gerenciar dois pedidos.

  • Insight: O sistema precisava “ensinar” a vender a segunda marca, traduzindo regras comerciais complexas, como potuação e desenvolvimento comercial.

Solução

Decisão crítica

O impulso inicial do negócio era optar por fluxos 100% apartados, buscando garantir a isonomia das marcas e evitar a canibalização.

A análise de jornada revelou o custo invisível dessa decisão: o caminho segregado duplicava o esforço operacional da consultora, pondo em risco a conversão e inviabilizando o cross-sell.

“Caminho do meio”

Com processos de facilitação demos visibilidade aos trade-offs de cada cenário. Ao tangibilizar o impacto no tempo de tarefa, conseguimos evoluir os requisitos para um Caminho Híbrido:

Integridade de Marca:

Implementamos um sistema de abas que preserva a identidade visual distinta de Natura e Avon, respeitando a isonomia que o negócio exigia.

Eficiência Operacional:

Unificamos a sacola e o pagamento. Removemos a fricção de gerenciar dois checkouts, garantindo que a proteção à marca não custasse a produtividade da consultora.

Fluxo principal

Resultado

Proteção Operacional:

Migração da base (experiência de aceite do novo modelo) mantendo a estabilidade da captação de pedidos durante todo o rollout.

Ampliação da produtividade

O que era uma dúvida, se concretizou em crescimento consistente de dois dígitos na produtividade média da consultora no rollout Brasil, validando a tese do modelo híbrido e alterando requisitos iniciais de unificação de pontuação.

Adoção do Cross-sell:

Validação da tese de mutualidade, com aumento de registros de compras cruzadas já nos primeiros ciclos de operação.

Curva de adaptação

- Sistema de pontuação mínima
- Limite de crédito
- Modelo de reconhecimento
- Atualização e migração para o novo app

Mais do que unificar marcas, o projeto redefiniu como decisões de experiência podem proteger e habilitar negócios em contextos de altíssimo risco.

Papel e atuação

Gestão de time:

  • Liderei a frente de Design, orquestrando um time de UX Leads e Product Designers na sustentação da tese híbrida e na articulação contínua com Produto, Engenharia e Negócio.

Articulação com Stakeholders:

  • Alinhamento contínuo entre Produto, Engenharia e Negócio para blindar os requisitos funcionais.

Governança de Pesquisa:

  • Direcionamento dos estudos de profundidade e testes para validar a tese de separação das marcas.

Arquitetura de Informação

  • Sustentação da tese de modelo híbrido (Navegação por Abas + Checkout Único) contra a proposta inicial de isolamento, garantindo a viabilidade do cross-sell.

O foco não era apenas a interface.
Era garantir coerência entre estratégia,
comportamento real e operação em escala.

Aprendizado central

Design, em escala crítica, não é sobre eliminar a complexidade. É sobre alocá-la: escolher onde ela é necessária para o negócio e onde ela é inaceitável para o usuário.

A unificação tecnológica é mais simples do que unificação cultural.