Aloysio de Souza

Corrigir rota sem perder pedidos

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contexto

Principal plataforma de captação de pedidos da Natura, responsável por mais de 90% da receita, utilizada por mais de 1,5 milhão de consultoras.

DESAFIO

Evoluir um sistema legado baseado em códigos para uma vitrine digital moderna sem comprometer produtividade, hábito e volume de pedidos.

Impacto

resumo

O problema real

A oportunidade surgiu a partir de um padrão recorrente nas pesquisas:
ofertas e oportunidades ficavam escondidas dentro do e-commerce B2B.

“Parece que a Natura quer esconder as promoções da gente”

O sistema principal, com anos sem atualização, não possuía vitrine de compra. A consultora operava com a revista física no colo: ela identificava o código no papel e apenas o digitava no sistema.

A decisão inicial
(e o erro)

A primeira decisão foi eliminar completamente o comportamento baseado em códigos, apostando em uma experiência totalmente visual e orientada por vitrine.

Apesar de pesquisa e testes, o impacto foi imediato e negativo:

  • Aumento de chamados em canais de suporte
  • Queda na nota do app
  • Reclamações chegaram à diretoria
  • Durgimento da demanda por um “botão do pânico” para voltar à versão anterior

O erro não foi falta de pesquisa.
Foi subestimar a força do hábito e a curva de aprendizado de um comportamento consolidado por mais de uma década.

Ao mesmo tempo, não era uma opção abandonar a estratégia comercial — mas também não podíamos ser responsáveis por queda nos pedidos, já que mais de 90% da receita passava por aquele fluxo.

A virada: decisão de correção

Decidimos reintroduzir o código como parte central da experiência, sem abrir mão da vitrine.

O campo de busca passou a operar de forma híbrida:

  • busca por nome ou características do produto
  • entrada direta por código, transformando a busca em campo de input de pedido
  • microinteração personalizada para adição direta à sacola quando o código era reconhecido

Assim, o hábito existente foi respeitado, enquanto a vitrine começava a influenciar gradualmente o comportamento de compra.

Busca com autocomplete e CTA

Viabilizamos a busca por código e adicionamos na sacola um atalho para consultoras experts que possuíam o hábito antigo de adição de produtos.

Trade-off

O que flexibilizamos

Abrimos mão de uma solução “puramente visual” e conceitualmente mais simples, aceitando maior complexidade de experiência e implementação.

O risco assumido

A solução ficou menos “ideal” para os padrões de mercado, mas era o custo necessário para não romper produtividade nem confiança em um sistema crítico.

Resultados obtidos

adoção
50 %
conversão
80 %
mais itens na sacola
2 x

A correção validou a estratégia:

  • A buscas por texto cresceram de 26% para 57%
  • Crescimentos na conversão nos pedidos que utilizaram a vitrine como principal fonte
  • Recuperação e superação dos patamares anteriores de avaliação do app

A hipótese de que expor ofertas de forma mais dinâmica e visual aumentaria o volume de itens foi validada — sem sacrificar pedidos.

Aprendizado central

Não se pode subestimar o hábito, mesmo quando a solução parece óbvia do ponto de vista digital.

Existe uma diferença clara entre atitude declarada e comportamento real do usuário — e essa diferença precisa ser constantemente considerada, medida e respeitada, especialmente em sistemas críticos.